Iniciado em 1987, nosso projeto mudou a história de mais de 95% das mais de 1000 crianças e jovens que aqui chegaram. A grande maioria assumiu a família Santa Clara e nela cresce de forma saudável, com dignidade, respeito e amor!
Muitos deles foram reintegrados à sua família de origem, tendo o seu processo de readaptação devidamente acompanhado. Outros continuam conosco, agora trabalhando no projeto, vivenciando sua primeira experiência profissional.
Todas as crianças e jovens atendidas pelo projeto Santa Clara freqüentam a escola, do Jardim de Infância à Universidade.
Alguns de nossos jovens já fizeram cursos universitários, outros estão cursando Relações Internacionais, Economia (UERJ), Psicologia, Enfermagem e Letras.
Os que terminaram a universidade , já estão no mercado de trabalho formal e conduzem bem sua vida independente, sua vida cidadã. Alguns já construíram sua própria família...
Depoimentos
Mais de 50 jovens já saíram de nossa casa e são totalmente independentes. Conheça sua história ouvindo e lendo seus depoimentos.
Raquel Carolina da Silva Viana da Penha
“Familia Santa Clara tinha que ser sobrenome!!!
que saudade eu sinto! Vontade de voltar no tempo, de ser criança de novo. De ser filha de Eliete e Cícero, de ter um monte de irmãos.
Meu DEUS que infância maravilhosa!!! Rodeada de cuidados, de amor... de gente inteligente e culta pra nos ensinar a ser gente humilde, gente boa.
Eu sou o que sou por que eu estive em Santa Clara dos meus 9 aos 20 anos.
Aprendi tudo que sei com tio Cícero e tia Eliete. Eu dizia que queria ser Tia Eliete quando eu crescesse. Hoje com 30 anos, percebo que falta muito pra isso.
Graças a eles estudei administração de empresas na Faculdade da Cidade e hoje sou coordenadora da produtora USINA 21 artes onde trabalho com projetos ligados a cultura e artes, como o espaço Tom Jobim no Jardim Botânico, calendário cultural da praça Tiradentes e outros.
Isso não seria possível se não tivesse recebido a educação, a formação cultural e psicológica que recebi deles.
Mas pra tudo ser perfeito e completo eu percebi que preciso retribuir o cuidado, o colo, a educação, o amor... na mesma medida que recebi, eu devo isso a vocês.
Pois sou filha de Santa Clara e não pode ser diferente
Não quero dizer:fui filha de santa clara
Nestes 20 anos de Família Santa Clara eu sinto que devo ser mãe em Santa Clara.
Eu quero ser mãe, tia... irmã mais velha Pois Santa Clara já tem até netos, Santa Clara é vovó. Tio Cícero e Tia Eliete são avós de muitos netinhos, netinhos que nem conhecem ainda.
E eu quero continuar fazendo parte desta família. Quero ser eterna filha de Santa Clara
As canções da infância, o “boa noite” do tio Cícero, a algazarra da turminha barulhenta na hora das brincadeiras, os conselhos da tia Eliete, tenho tudo isso gravado no fundo da minha memória e do meu coração.
Tenho saudades até das broncas, das grandes reuniões que eram feitas com todos juntos, para colocar a casa em ordem, esclarecer as dúvidas, tirar os medos, passar segurança, e deixar os traumas do passado muitas vezes dolorosos pra trás...
Agradeço a Deus todos os dias pelo privilégio de ter passado por esta família. Peço a Deus que me dê condições de ser uma ajudante, retribuindo o bem que me foi feito e que possa ser parte atuante na minha família que tanto amo .
Muito obrigada por existirem. Deus acertou na fórmula quando criou vocês. A minha vida não seria a mesma sem vocês, em todos os aspectos.
Um grande beijo
Raquel Carolina da Silva Viana da Penha”
Silvana Rodrigues
"Como tudo aconteceu.
Aos 4 (quatro) anos de idade minha mãe me colocou na instituição Santa Clara. No início acredito que foi muito difícil eu não me lembro muito bem, mas quando tinha festas como dia das mães, páscoa, natal.. eu ficava esperando por ela e muita das vezes ela não vinha o que era muito triste, são vagas e poucas as lembranças que tenho da minha infância mas recordo também que ficava muito feliz quando minha mãe vinha me ver.
O tempo passava e eu me acostumei com suas presenças e ausências e aprendi a gostar das pessoas que estavam ao meu redor todos os dias. Com 16 (dezesseis) para 17 (dezessete) anos ela resolveu levar eu e meus irmãos embora pois já tinha uma condição melhor, ou seja, que dava para cuidar da gente, meus irmãos aceitaram e eu não. Ela ficou muito triste mas eu não tinha nenhuma relação de mãe e filha ou até mesmo de amiga para morar com ela. Meus irmãos também queriam que eu fosse pois sempre fui amiga deles mas enfim fiquei. Senti muita falta deles no início pois a vida toda eles estavam ao meu lado e agora seria apenas eu.
Não perdi os meus irmãos, nem minha mãe, depois que ela os levou nunca mais veio me ver, porém eu fui vê-la sempre que posso estou com eles e me sinto feliz assim com essa escolha que eu mesma fiz.
O que significa Santa Clara para mim.
Uma família, ou melhor, minha família, onde pude construir minha “história”, escolher minhas amizades, conhecer meus defeitos e qualidades.
Foi com a Tia Eliete e com o Tio Cícero que aprendi que família é a base de tudo na vida, com eles pude discriminar o certo do errado, respeitar e ser respeitada e aprendi a conviver com as diferença, o que foi muito importante. Hoje com 22 anos faço faculdade de psicologia na Estácio- Akxe e ajudo a cuidar das crianças mais novas passando tudo o que eu aprendi com eles: respeito, carinho, amor e solidariedade." - Silvana Rodrigues
Rodinei Alexandro dos Santos
Seria quase que uma façanha descrever Santa Clara em míseras linhas de uma pequena folha...Até porque esse projeto não é formado de lindas palavras, mas de gestos. Gestos que fazem desse trabalho uma grande forma de cidadania, expressa em uma família.
As barreiras da ignorância que nos são impostas pela sociedade nos mostram o quanto a própria desconhece o que há, realmente, por trás do que eles reduzem a ‘orfanato’, e, muitas vezes, nos limitando a ‘coitadinhos’.
Será que realmente somos?
A resposta à sociedade seria fácil e direta se ela deixasse a informação chegar antes do que o preconceito. Não somos coitados, muito pelo contrário, pois aqui aprendemos a ter gana, a lutar por nossos ideais, a não tentar buscar justificativas , quando fracassamos, no triste passado que nos foi destinado, mas a viver o presente que nos foi concedido, para construírmos um futuro digno.
Para saber de fato o que é Santa Clara, é preciso que você a viva, como nós a vivemos. - Rodinei Alexandro – 16 anos – 7ª. série
Stefany Torroso Figueiredo
A Família Santa Clara para mim é uma família.A minha família.Tem duas pessoas muito importantes nessa casa. A primeira se chama tia Eliete e a outra tio Cícero.Eles, para mim, são umas pessoas muito adoráveis. Eles são meus pais.
Em nossa casa linda tem crianças adoráveis,tias, tios e professoras. Isso é muito bom porque vamos para a escola e voltamos para casa para estudar, aprender mais ainda.
Essa casa pra mim será sempre uma família. Amo todos dessa casa, principalmente meus pais que me criaram desde pequena, desde os meus três aninhos.Agora eu já estou maior, já tenho treze anos. Mas por dentro ainda sou uma criança, apesar de já ser uma adolescente.
Aqui cada um faz a sua parte para que tudo fique sempre arrumadinho.Às vezes a gente briga, mas depois fazemos amizade de novo e tudo fica legal.
Nunca vou deixar de amar essa casa. Por quê? Porque eu nasci aqui. Eu amos essa casa e todo mundo dela. - Stefany Torroso Figueiredo - 13 anos - 5ª. série
Carlos Alberto
Santa Clara é uma família de grande responsabilidade. Acima de tudo trata com respeito o seu próximo e seus filhos. Nela estão sempre presentes palavras como: amizade, fraternidade e respeito.
Eu sou Carlos Alberto, vivi alguns anos na Família Santa Clara e lá eu aprendi que, na vida, temos que ter respeito para podermos crescer na vida. Tanto na vida familiar, quanto na vida pessoal. Em Santa Clara tive oportunidades que não tinha nas ruas, pude concluir meus estudos, ingressar na Universidade, conseguir um bom emprego e seguir minha vida com dignidade.
Mas sempre que posso estou lá de volta, ao lado daqueles que me deram a mão quando a vida me virou as costas. Carlos Alberto – Já com vida independente
Andressa Kathlin
Eu amo a Família Santa Clara! Eu adora a casa onde a gente vive. Nada que alguém possa fazer comigo pode me afastar daqui . Aqui estou desde os dois anos de idade. Tudo o que sou, aprendi aqui. Tudo o que um dia eu vou ser, é aqui que estou aprendendo. Eu amo essa família e todo mundo que vive nela. Eu amo a minha família. - Andressa Kathlin – 12 anos – 4ª. série
Adriano Bonfim
Santa Clara.
Falar de Santa Clara......
É mergulhar no profundo azul do mar, onde não existe fome, desigualdades, separação de raça, separação de cor, miséria, etc...
È um mundo a parte, dentro deste mundo corrupto, sujo, prostituto onde os magnatas banqueiros, políticos, bicheiros são quem define o que será feito de nós, não nos dando espaço para disputarmos lugares ou até mesmo freqüentarmos os mesmos locais.
Mas, surgiram Cícero e Eliete, que nos ensinaram a ter visão deste mundo sem esconder de nós os jornais e revistas.
Meu nome é Adriano Cardoso Bonfim, estudei em uma das melhores escolas técnicas particulares do estado do Rio de Janeiro, Rezende Rammel, e estou lutando ao lado de muitos deles com humildade, sinceridade e respeito.
Digo, não é fácil chegar, mas com a enciclopédia que tivemos... conhecimento que me ajudou e ajudará bastante neste meu futuro.
Agradeço a Deus em minhas orações e peço que lhes dê bastante saúde para tocar este projeto sério e transparente que eles fizeram e continuam fazendo junto com seus filhos e aliados.
Você que está tomando conhecimento destas informações, não pense que é armado e demagógico este depoimento. Estou vivo para contar-lhes e com muito prazer e otimismo.
Apesar das dificuldades que Santa Clara enfrenta, eles não se deixam corromper e nem desanimam, apesar de não faltarem propostas.
Termino aqui minhas palavras sabendo que foi muito importante o meu depoimento pois sei que muitos não acreditam ou não conhecem, mas as portas estão abertas para vocês se aprofundarem, confiarem e fazerem a sua colaboração com uma das instituições mais sérias que conheço.
A única cobrança que nós temos é nos tornarmos cidadãos de bem, com caráter, dignidade e estudar bastante para uma boa formação. Nossa maior obrigação é com nós mesmos.Sonhar.Acreditar que é possível... E conquistar o futuro, como eu estou começando a conquistar. Sou Técnico em Eletrônica, com algum sucesso profissional, tenho uma linda família:mulher e dois filhos E uma forte base no amor da Família Santa Clara.
Um grandíssimo abraço,
Adriano Bonfim